sábado, 25 de abril de 2015

#táquase

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata e que me traz tudo o que poderia ter sido e não foi. Quem quase que cá está e não está, quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por causa dessa estúpida mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida suficientemente razoável; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta de coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece e o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinzento. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos apenas paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Para os erros há perdão, para os amores impossíveis, tempo. Não deixes que a saudade te sufoque, que a rotina te acomode, que o medo te impeça de arriscar e de tentar. Gasta mais horas a realizar que a sonhar, a fazer que a planear, a viver que a esperar porque, embora que quem quase morra esteja vivo, quem quase vive já morreu.

domingo, 19 de abril de 2015

E se eu te der mais uma parte do edredão?

Tu ficas mais um pouco aqui comigo?
Deixa-me aumentar a saudade que vou sentir de ti com o teu cheiro na minha roupa. Fica por aqui e deixa-me decorar as tuas últimas palavras antes da despedida. Deixa-me deitar no teu peito e embalar-me com as batidas do teu coração, e aliás, ele parece gostar de se encontrar com o meu.
Há um espaço nos meus braços onde o teu abraço cabe direitinho. E há um espaço na minha vida para tu encostares a tua. Fica aqui mais um pouquinho. Demorei tanto para te encontrar que não quero ver-te a ir embora agora que mal acabaste de chegar.
Tu fazes-me bem. A tua companhia tornou-se a maior alegria dos meus dias e o caminho mais rápido para a felicidade que eu sempre sonhei viver.
Mesmo antes de saber quem tu era e o que nós eramos, E já te via no reflexo do vidro do autocarro. E também te via em refrões que eu gostava de repetir sozinha.
Ficas mais um pouco aqui comigo?
O que mais posso eu fazer para te convencer?
É que eu gosto tanto de demonstrar que gosto de ti. E eu nem me importo se isso te vai agradar, pois eu só faço o que eu gostaria que fizessem por mim. Eu amo saber que alguém gosta de me amar. E que a minha companhia, de alguma forma, ajuda a aliviar o peso da rotina.
Quando nós somos o tipo de pessoa que gosta de viver, nós aprendemos a valorizar o que a falta faz. E aí nós tentamos aumentar ao máximo aquele mínimo momento, nós tentamos transformar em "para sempre" o que era só "agora".
Mesmo sabendo que o meu querer não é tudo, hoje eu queria ter-te aqui comigo para sempre.
E se eu te der mais uma parte do edredão? 
Tu ficas aqui comigo mais um poquinho?