quinta-feira, 29 de maio de 2014
Não era suficiente
Parecíamos dois apaixonados, um pelo outro. Ansiosos por admitir que nos queríamos muito, mas, ainda assim, receosos do fim. Estávamos curiosos, queríamos saber mais e mais um sobre o outro, e, numa cumplicidade ainda vaga, conversávamos horas seguidas. Tu falavas e eu sorria. Eu falava e tu escutavas com atenção, olhando-me intensamente nos olhos, enquanto tentavas descodificar a minha alma que não te saia do pensamento no último mês. Comportávamos-nos como dois amantes que já se conheciam de outros tempos, de outros romances, e envolvidos por uma timidez camuflada em confiança. Eu mais falava e tu mais ouvias, mas então eu calava-me e sorria e tu falavas e falavas e tentavas encantar-me e conseguias. Juntos eramos o sol, reluzíamos, e só assim tudo o resto tinha vida. Certas vezes confessávamos que sonhávamos um com o outro, outras vezes preferíamos calar-nos, mas mesmo quando o silêncio substituía as nossas palavras, nós dizíamos muito um ao outro. De repente, tudo o que tínhamos em comum não era suficiente, porque ainda não nos tínhamos um ao outro.
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