Já não me lembro do teu perfume mas lembro-me que gostava de estar encostada a ti e sentir o teu cheiro. Já não me lembro de como é abraçar-te mas lembro-me que quando me abraçavas eu não queria estar mais nenhum lugar. Lembro-me, porque nunca poderei esquecer, em como depois de um dia terrível, depois da primeira lágrima escorrer do meu olho era por ti que eu procurava, era de ti que eu mais precisava. Ainda hoje, quando já se passaram dois meses procuro encontrar aquele conforto que me davas. Aquele encaixe perfeito que as tuas palavras tinham para me consolar. Sinto falta da nossa sintonia.
Eu sei que o que tivemos foi alguma coisa. Foi algo que muito antes de começar era perfeito. Não quero dizer que esse algo acabou, porque acho que isto nunca acaba. Apenas se foi transformando. Transformou-se numa lembrança. Prendi-me nas memórias para reviver vezes sem conta. Quebrei o orgulho, muitas vezes, para falar mais um dia contigo, para desabafar mais uma vez contigo, para sentir aquele conforto que só encontrava junto a ti.
Não me arrependo de nada. Porque por cada vez que te afastaste mais um pouco, por cada noite que eu chorei, por cada dia que eu esperei que terminasse, por cada segundo que eu esperei por ti, eu tornei-me mais fria. Tornei-me mais orgulhosa. Tornei-me mais mulher. Descobri o amor-próprio. Não foi de um dia para o outro, não foi fácil nem indolor. Achava que não seria capaz de amar outra vez. E durante muito tempo não amei. Hoje, eu amo. Não guardo rancor, não guardo porque aprendi e agora sou mais forte.
Hoje, antes de todos, eu amo-me a mim.
Os dois mudámos, o tempo faz isso, a magoa faz isso, a vida fez-nos isso. Porém, podes ficar a saber que mesmo tudo estando diferente, ainda tens um espacinho (mesmo que pequenino) dentro de mim.
Sem comentários:
Enviar um comentário