terça-feira, 22 de julho de 2014

A inocência de criança

Quando eu era mais nova punha os braços dentro da t-shirt e dizia às pessoas que os tinha perdido. Eu dormia com todos os meus peluches para que nenhum ficasse ofendido ou se sentisse desprezado. Eu tinha aquelas canetas que usava para a escola com 6 cores e carregava nelas ao mesmo tempo a ver se dava para escrever com elas todas ao mesmo tempo. Punha sumo nas tampas das garrafas e fingia que estava a beber shots. Eu metia-me sempre atrás das portas para assustar as pessoas mas saia sempre antes ou porque elas demoravam a aparecer ou porque tinha de fazer xixi porque ficava sempre com vontade de o fazer quando me escondia. Fingia que estava a dormir no sofá para que o meu pai me levasse ao colo para a cama, ou fingia que já estava a dormir para me irem dar um beijo de boa noite. Eu costumava pensar que a lua seguia o meu carro e olha para aquelas duas gotas de água que corriam pela janela quando chovia como se fosse uma corrida e começava o jogo de novo cada vez que perdia. Eu sempre que passava na passadeira tinha o cuidado de só pisar a parte branca porque achava engraçado. Eu brincava as lojas no meu quarto porque achava que trabalhar na caixa do supermercado era brutal.
Fingia casamentos e já fui o padre porque não tinha nada para fazer e era lindo naquela altura. 
Lembro-me de ser criança e querer crescer para ser adulta o mais rápido. Onde é que eu tinha a cabeça?

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